Escolhas


Ontem estava vendo aquele filme na Globo, Efeito Borboleta. Ele é baseado na teoria do caos, que é exemplificada pela frase "algo tão pequeno como o bater das asas de uma borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo". No filme, Evan (Ashton Kutcher) consegue alterar o próprio passado, mas ao consertar seus antigos problemas, ele cria outros problemas tão ou até maiores que os anteriores, já que todas as mudanças que fazia no passado gerava conseqüências no seu futuro.
Eu já tinha visto o filme, que é muito bom por sinal, mas ontem, anos depois de tê-lo assistido pela primeira vez, tive outra percepção. Esse filme me fez pensar demais nas minhas presentes situações e atitudes. Provavelmente se eu tivesse feito outra escolha ontem, eu não teria que pensar numa solução para ela hoje. Se eu pudesse voltar no tempo, talvez não tivesse metade dos problemas que eu já tive, mas não aprenderia com eles. É com os erros que aprendo. Com eles eu sei que não devo fazer a mesma coisa de novo, do contrário, me ferrarei novamente. Com as vitórias eu quase não aprendo. Raras são as vezes que repetimos as vitórias pelo mesmo caminho, com as mesmas escolhas e atitudes, mas um erro gera outro, e no final das contas você está sem saída. Eu não voltaria no tempo para consertá-los como fez o Evan, voltaria no tempo para retardar uma perda muito significativa que me abateu a cerca de dois anos. A morte sim, se eu pudesse voltar no tempo para evitá-la eu ficaria feliz. Mas seria maçante. Certo, ninguém que amo morreria, mas eu tería uma responsabilidade tamanha, que eu mesma pediría para morrer.
Infelicidades a parte, acredito que devemos aprender com as nossas atitudes. Muitas vezes o que falamos para uma pessoa, mata mais do que uma bala no coração ou um corte de punhal no pescoço. Trágico, mas é a verdade. Muitas vezes não queremos magoar os outros, e acabamos magoando. Uma palavra pode ser a glória ou a derrota. Uma palavra pode mudar o mundo. Para exemplificar, se alguém tivesse dito NÃO antes de cortar a primeira árvore, talvez não houvesse desmatamento. Talvez se você não tivesse dito SIM, não estaria casada com o homem que ama e uma penca de filhos. Talvez se você não tivesse dito NÃO para aquele emprego xinfrim, você não teria montado o seu próprio negócio. A vida é assim. Cheia de alternativas e não há tempo suficiente para se mudar de ideia. Quando uma porta se fecha, dificilmente ela se abrirá novamente. Janela então? É para poucos. Como diz uma amiga minha, "o sol nasce para todos, mas a sombra apenas para os privilegiados." Verdade.
Então em vez de ficar sentada ai se martirizando porque fez a escolha errada, saia, vá viver e buscar outra alternativa. A porta pode não abrir, novamente, por vontade própria, mas se você quiser, você consegue derrubá-la.

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