Perfeição

Engraçado como acontecem as coisas nas nossas vidas. Um dia estamos com medo de bobeiras, e no outro estamos suspirando por outras bobeiras ¬¬'
O que quero dizer é que, no meio do fluxo de estudo, não é que surge, num misto de indignação e idealismo um príncipe encantado? Sim. Na faculdade. Pelo menos para mim era um príncipe. Um cara que queria lutar pelo melhor, pelo bem comum, lindo, inteligente, com o sorriso mais brilhante que um raio solar e o abraço mais gostoso do que o de urso. Que analogia horrível...! Mas enfim, era ótimo. Era não, porque afinal de contas o tal príncipe não morreu. Felizmente.
Ele era do mesmo período que eu, contudo de outro turno, filho do professor que eu mais adorava (e adoro, porque é meu professor no segundo período também o//), o que nos uniu foi a ideologia. Queríamos mudar o que achávamos errado dentro da faculdade. Ele tinha muito a perder, pai professor não poderia aparecer frente ao movimento, precisava de uma pessoa de confiança, cargo que prontamente me alistei para conseguir. Indagações à parte, o movimento ideológico não foi para frente, não tínhamos aliados suficientes para abrir guerra. Caiu no conformismo de ambos.
Conversávamos praticamente todos os dias, e com essa aproximação fui me iludindo com relação à ele. Comparava-o realmente a um príncipe, sempre gentil, sempre atencioso comigo... Eu com minha mente sonhadora e infantil fui começando a me envolver. Coitado do tal garoto! Ele era desse jeito comigo, porque era com todas e não porque também gostava de mim.
O meu "gostar" chegava à neurose. Percebi isso quando, uma vez numa festa, o encontrei casualmente, e ele, pela primeira vez me abraçou, com força e me deu um beijo no rosto. Foi um momento muito mágico para mim... QUE IDIOTICE! Até que percebi que ele estava acompanhado por alguns amigos... Comecei a pensar que o que o levou a me cumprimentar de tal forma era a presença dos amigos, uma vez que eu estava incrivelmente bela e acima de tudo, muitíssimo bem arrumada. Era uma festa afinal de contas! Passei o resto da noite com meus pensamentos, quase a beira das lágrimas... Disse que chegava a neurose! Chorei muitas vezes me perguntando o motivo de tudo. Eu não devo ser uma princesa... pelo menos não a altura dele, pensava.
Hoje percebo o quanto fui tola e boba naquela época. Até eu correria de mim mesma se estivesse em seu lugar. O garoto não era príncipe encantado algum. Não deixa de ter grandes qualidades, mas não é perfeito como eu o idealizava (novamente o idealismo!). Hoje quando o vejo pelos corredores da faculdade, meu coração ainda dá um sobressalto. Mas de forma boa. O gostar que sinto por ele hoje em dia é um gostar bom... Pelo menos é o que eu acho. Antigamente tinha um gostar de posse... ESTUPIDEZ! Não possuímos nem a nós mesmos que dirá a outras pessoas... Agora gosto dele como um bom amigo, alguém que fez parte da minha vida e que foi importante, afinal ele, mesmo que inconscientemente, me mostrou um de meus defeitos. Hoje quero que ele seja imensamente feliz e que alcance todas as suas metas. Que siga seu caminho, e tenha muito sucesso, tanto profissionalmente quando afetivamente.
O que mostra que nem os príncipes encantados são eternos... =)
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